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Mostrando postagens de novembro, 2025

Tesoura

  Estávamos nuas, corpo a corpo, respiração colada. Nossos beijos se tornavam mais urgentes cada vez que eu te prensava contra a parede. Minhas coxas encaixadas entre as suas pernas, meus lábios explorando o seu pescoço e ela respondia com aqueles suspiros quentes no meu ouvido, as unhas traçando mapas nas minhas costas, rasgando meu controle, me deixando faminta. Quando envolvi o lóbulo da sua orelha entre meus lábios e o chupei com a delicadeza de quem prova uma fruta madura, senti seu corpo estremecer. Foi ali que ela despertou do transe em que estávamos presas. Num gesto rápido, quase feroz, agarrou minha cintura com força e me puxou para a cama, como se finalmente cedesse à própria vontade. Com um olhar de malicia e conveniência fitei seus olhos e logo em seguida o vibrador que estava na cabeceira. Não pensei duas vezes e enquanto beijava sua boca, estiquei a mão para pegar o objeto e logo ligar. Ao ouvir o som de vibração ela parou o beijo pra me olhar com aquela cara de ...

Red Flag

  Há coisas que a gente sabe antes de saber. Intuições que chegam como pequenos estremecimentos, e que tentamos calar porque temos medo da resposta. Mas o coração é teimoso e sábio. Ele avisa primeiro, mesmo quando a mente inventa argumentos para silenciar o que já é evidente. Você me fala dessas pequenas sombras que começam a se desenhar outra vez. Eu te escuto. E, ao te ouvir, é como se eu mesma tocasse numa ferida antiga: aquela que corta e, ainda assim, a gente insiste em passar o dedo para ver se já doeu tudo o que tinha pra doer. Nunca doeu. Sempre dói mais. Preciso te dizer uma coisa com a delicadeza que você merece: o ano não será novo se você continuar a caminhar pelas mesmas ruas escuras. O tempo muda o calendário, mas não muda destinos repetidos. Quem muda somos nós quando decidimos não repetir. O que feriu uma vez quase sempre permanece afiado. Não porque o outro é afiado, mas porque nós, sem perceber, oferecemos a pele no mesmo lugar. É estranho como às vezes f...