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Tesoura

 


Estávamos nuas, corpo a corpo, respiração colada. Nossos beijos se tornavam mais urgentes cada vez que eu te prensava contra a parede. Minhas coxas encaixadas entre as suas pernas, meus lábios explorando o seu pescoço e ela respondia com aqueles suspiros quentes no meu ouvido, as unhas traçando mapas nas minhas costas, rasgando meu controle, me deixando faminta.

Quando envolvi o lóbulo da sua orelha entre meus lábios e o chupei com a delicadeza de quem prova uma fruta madura, senti seu corpo estremecer. Foi ali que ela despertou do transe em que estávamos presas. Num gesto rápido, quase feroz, agarrou minha cintura com força e me puxou para a cama, como se finalmente cedesse à própria vontade. Com um olhar de malicia e conveniência fitei seus olhos e logo em seguida o vibrador que estava na cabeceira. Não pensei duas vezes e enquanto beijava sua boca, estiquei a mão para pegar o objeto e logo ligar.

Ao ouvir o som de vibração ela parou o beijo pra me olhar com aquela cara de safada que só ela sabia fazer, tentando prever em vão os meus próximos passos. Ainda me olhando, ela deixou escapar um gritinho curto, quase um soluço de surpresa, quando aquela vibração macia encontrou o seu íntimo. Logo depois veio a mordida de lábio  lenta, convidativa  como se me chamasse sem dizer uma palavra.

Montei sobre o vibrador numa tesoura quase coreografada, e senti a vibração subir pela minha pele ao mesmo tempo que a atravessava. Comecei com movimentos leves, um rebolado suave, enquanto minhas mãos exploravam cada curva do seu corpo como quem estuda algo secreto. Aos poucos, ela foi tomando o controle com os dedos cravados na minha bunda, guiando o ritmo, marcando o compasso com apertões, batidas e arranhões. Era como se fosse a maestra do nosso pequeno concerto erótico e eu, hipnotizada, seguia cada comando sem perceber o quanto já estava rendida.

Quando o orgasmo veio, veio para as duas, num encontro quase simultâneo que fez o mundo desaparecer por alguns segundos. Desabamos exaustas, uma sobre a outra, com o coração ainda tropeçando no peito. Entre risadas baixas, selinhos preguiçosos e braços que não queriam soltar, ficamos ali sentindo o frisson ainda vibrando em ondas, e o arrepio que nossos corpos colados provocavam como se ainda estivéssemos continuando, mesmo depois do fim.


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