Ah, a paixão… um encanto assustador. Assustador porque nunca
sabemos onde ela nos levará, e encanto porque, mesmo sem garantias, nos
deixamos levar. Ela é como um espelho que nos devolve versões de nós mesmos que
talvez preferíssemos não ver. E se já é um desafio nos despirmos para nós
mesmos, o que dizer de nos entregarmos ao outro, nus de artifícios, despidos de
medo?
Ainda assim, a paixão é fogo e fôlego. É a chuva inesperada
que rompe a estiagem, trazendo frescor à alma seca de rotina. Mas também é
tempestade, derrubando certezas, transbordando limites, arrastando tudo o que
não é forte o bastante para permanecer.
E o sol… Ah, o sol da paixão. Ele aquece, colore a vida, dá
sentido às manhãs. Mas exige cuidado – um descuido, e queima.
A paixão, como todo fenômeno da natureza, não deve ser
contida, nem tomada por garantida. É para ser sentida na pele, nos ossos, no
fundo do peito. Vivida com entrega, mas nunca subestimada.

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