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O Sabor do Impulso


Estávamos tranquilamente caminhando pelo shopping quando ela sugeriu sairmos à noite.

— Ah, não, querida. Nem tenho roupa pra isso. E se eu pisar em casa, não saio mais! — retruquei, rindo.

— Então você não vai pra casa, ué! Vamos lá pra minha, a gente toma uma cerveja, bate papo, e eu te empresto uma roupa. Se depois você não quiser sair, tudo bem.

Ela fez aquele charminho irresistível, um olhar de gatinho que sempre me dobrava. Suspirei, já ciente de que estava vencida, e aceitamos um carro até a casa dela. No caminho, ela falava animadamente sobre o tal barzinho, enquanto eu ainda cogitava a ideia de voltar para casa depois de umas duas cervejas.

Ao chegarmos, ela foi à cozinha preparar um petisco enquanto eu acomodava minhas bolsas na sala. Logo voltou com uma bandeja de frios, uma cerveja estupidamente gelada e dois copos. O calor do dia fazia aquela bebida descer como um alívio. Conversamos, rimos, e depois da primeira garrafa decidimos tomar banho. Eu fui primeiro enquanto ela separava algo confortável para eu vestir.

Quando saí do banho, encontrei sobre a cama a roupa que ela havia escolhido: um baby doll leve e fresco. Hesitei por um instante, mas, considerando que era apenas para ficarmos ali, aceitei. Pouco depois, ela saiu do banho com uma lingerie branca rendada, vestindo por cima um roupão de seda antes de me chamar de volta para a sala.

— A gente já está praticamente de pijama. Se bebermos mais, não vamos sair para lugar nenhum — brinquei.

Ela riu, ligando o som e aumentando um pouco o volume.

— Ah, é aí que você se engana. Isso me deixa super eufórica! Mais dois copos e você vai estar querendo dançar.

Tomamos mais alguns goles, e a animação aumentou. Entre risadas e músicas, ela tirou o roupão e começou a dançar despretensiosamente. Sua pele brilhava sob a luz suave da sala, e, por mais que fosse minha amiga, não pude deixar de notar o quão linda ela era. Sentou-se de frente para mim e pegou uma paleta de sombra.

— Me maquia! — pediu, inclinando o rosto na minha direção.

Com os olhos fechados, ela parecia vulnerável de uma forma doce. Meu coração acelerou. Em um impulso, antes mesmo de pensar, a beijei. Assim que nossos lábios se tocaram, ela abriu os olhos, surpresa. Meu estômago se revirou com o receio de ter estragado tudo.

— Desculpa, eu...

Antes que terminasse a frase, ela sorriu de canto e, sem hesitar, segurou meu rosto e retribuiu o beijo. Dessa vez, foi mais profundo, cheio de desejo contido. Senti suas mãos deslizando pelos meus braços, subindo até minha nuca, entrelaçando os dedos no meu cabelo. Me arrepiei inteira.

Cada toque era um convite silencioso para um momento que parecia inevitável. O mundo ao redor se dissolveu, restando apenas nós duas, entregues àquela sensação nova e avassaladora. Não era só sobre desejo. Era sobre conexão, sobre algo que, talvez, sempre estivesse ali, esperando para ser descoberto.

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