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E se amanhã não for nada disso


 

Eu venho aqui, mais uma vez, derramar palavras que não consigo deixar escapar diante dos seus olhos. É como se escrever fosse a única forma de aliviar esse peso doce que você provoca, um peso que não machuca, mas ocupa todos os espaços.

Por algum motivo que nem eu entendo, confio em você como não confio em quase ninguém. Você me transmite uma paz rara… e, ao mesmo tempo, um turbilhão. Quando estou com você, perco o filtro, perco o véu… me sinto nua de maneiras que não têm a ver com roupa, mas com alma. É novo. É perigoso. E é irresistível.

Só de te olhar, sinto que poderia colocar minha vida inteira nas suas mãos, e ainda assim dormir tranquila. E confesso, minha imaginação te veste e despe a cada segundo, mas não como carne fria e solta. Te desejo inteira: o corpo, o sorriso enviesado, o olhar que é ao mesmo tempo mistério e convite, a maneira como você se inclina quando se empolga, a entonação da sua voz quando conta algo que ama.

Gosto de te ouvir como quem bebe um vinho lento, sentindo cada nota. Gosto de observar seus lábios se movendo, quase esquecendo do que você diz porque me distraio com a curva da sua boca.

E como eu gosto de te abraçar… mesmo que por segundos. É nesse instante que minha pele entende o sentido da palavra eletricidade. Seu toque macio, o deslizar do seu cabelo nos meus dedos, o seu cheiro... ah, o seu cheiro… ele me deixa entorpecida e acende pensamentos que tento esconder até de mim.

Você é o centro da minha órbita, protagonista de histórias que invento só para te manter perto. Revivo nossas interações como quem rebobina um filme favorito, e no silêncio da minha cabeça acrescento cenas que nunca aconteceram, mas poderiam. Às vezes imagino você percebendo. Outras, desejo que perceba.

Fantasio com a cerveja que ainda não dividimos, com cuidados e mimos que ainda não te dei, com o momento em que minha mão encontraria a sua sem hesitar. E, nos cantos mais secretos da minha mente, há confissões que fariam você me ver de forma diferente… histórias que começam com um toque, atravessam a respiração acelerada e terminam onde nenhuma outra pessoa jamais chegou.

Mas em todas essas fantasias, sem exceção, o clímax não é só sobre prazer. É sobre ver você feliz… e saber que fui eu quem provocou.

Talvez seja essa vontade quase instintiva de te ver feliz que me faça temer tanto que você perceba.
Porque, de algum modo, sei que já sou parte de alguns dos teus sorrisos, e isso é uma dádiva que guardo com cuidado.
Vejo quando você se entrega, mesmo que discretamente, e se deixa envolver por um acolhimento que talvez nem saiba que lhe ofereço.
Não quero que se sinta traída ou desconfortável diante do meu desejo.
Não quero que mude o tom da sua voz comigo, nem que passe a medir as distâncias.
Quero apenas que, em algum momento, você sinta o mesmo abrigo que encontro em você.

Mas esse desejo, aos poucos, fala mais alto.
E embora eu saiba que talvez não seja saudável alimentá-lo, há um prazer em deixá-lo viver dentro de mim.
A dúvida, mesmo quando cruel, ainda é mais doce que um “não” definitivo.
Porque para aceitar o “não”, eu teria que arrancar você de dentro da minha mente.
E é justamente aí, nesse espaço silencioso que você ocupa, que eu me sinto mais viva.


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